A visão da Natureza Originária em Laozi

A visão da Natureza Originária em Laozi

A forma da não-forma

 

Refletindo-se no espelho da divindade,

sua alma se estilhaçava num estremecimento: 

No fundo das rochas

cintilava a sua face ruborizada.

Ilhas abrasadas e flechas translúcidas

caíam como gotículas de opala.

Aquilo que é paradoxal transcende os nossos sentidos e escapa de nosso entendimento. É como uma imensa barbatana golpeando as correntezas da percepção! Tudo se esvai, a visão se turva e os ouvidos se ensurdecem! Num intervalo que parece se estender por um século, mal conseguimos enxergar as ruas e as pessoas que se desvanecem acima da névoa purpúrea. Langorosos vapores se retesam, suspensos, lívidos, arrastados por algum peso imemorial. O que é insólito busca o seu próprio enrubescimento. Uma ínvia recrudescência congela-se entre as clavículas. Não obstante, não se vê nenhuma ferida ou fratura na pele. Mas eis que algo renasce na carapaça do sol! Lampejo de ouro, íris-de-reflexos-escaldantes!

Olhado sem ser visto:

seu nome é invisível.

Escutado sem ser ouvido:

seu nome é inaudível.

Tocado sem ser alcançado:

seu nome é intangível.

Eis os três atributos indefinidos,

confundidos na Unidade.

 

No alvorecer, não resplandece.

No entardecer, não escurece.

Ininterrupto, inominável,

assim é o retorno do não-existente.

 

Diz-se que é a forma da não-forma,

a imagem do não-existente, o indistinto.

Ao confrontá-lo, não vemos seu rosto.

Ao segui-lo, não vemos seu dorso.

 

Alcançando o Dao Imemorial,

pode-se conduzir a existência atual.

Conhecer o princípio ancestral:

isso se diz a lei do Dao.[1]

[1] Capítulo 14 do Dao De Jing na minha tradução.

Em inúmeras ocasiões, percebemos as formas das coisas, porém, o que seria percebermos a forma da não-forma? Como uma não-forma revelaria a sua forma concreta de modo a deixá-la visível aos nossos olhos? Quando o mestre taoísta Laozi, autor do clássico Dao De Jing, exprime o paradoxo de uma forma da não-forma, já se percebe a insuficiência da nossa razão discursiva no sentido de compreender o sentido do paradoxo! A lógica ordinária conceberia a forma da forma, ou a não-forma da não-forma. Como então haveria a existência de uma forma da não-forma? Será que, diante dessa presença tão absurda e enigmática, teríamos de enxergar com outros olhos e ouvir com outros ouvidos?

Presos às correntes de nossas próprias limitações, buscamos exprimir o inexprimível, seja por meio da linguagem discursiva, seja pela mera percepção sensorial. O que sucede é o fracasso na tentativa de apreensão do desconhecido…

Impasse…

Somos barrados pela aporias e desilusões…

Todavia, persiste o desejo, a sede e a busca do desconhecido.

Inúmeros percalços ainda sobrevêm a fim de impedir a nossa caminhada.

Agoniados, exauridos, quase desistimos, mas eis que uma fresta de luz incide e insiste, tornando nosso desejo menos voraz, menos violento.

É quando a nossa mente se apazigua no centro do silêncio e se condensa em pequeníssimas esferas concêntricas….

É quando cessamos a linguagem do discurso que emerge o ser do Dao, cuja essência diáfana e eterna se manifesta na sua presença fenomênica.

No entanto, ainda que seja perceptível na imanência, seu fulgor indistinto transcende para além das fronteiras do cognoscível e incognoscível. O ser do Dao resplandece invisível, inaudível e intangível, repousando na Unidade da Transcendência. É como um astro flamejante, cuja epifania jamais deixa rastros ao longo das suas aparições, uma vez que nunca se confina às delimitações, às formas e aos contornos da matéria. Desse modo, se no no alvorecer, não resplandece e no entardecer, não escurece, esse ser considerado em sua condição intrínseca nunca poderia ser limitado pela sua mera aparição fenomênica. Onipresente, esse ser permeia todas as coisas, mas a sua substância não sofre as limitações da fenomenalidade. O ser aparece em todos os fenômenos, mas ele mesmo escapa dos condicionamentos do plano fenomênico. É por que isso que se ele aparece na luz como um ser percebido, sua essência, por mais que seja inexoravelmente incisiva, jamais é delimitável.

Por outro lado, embora seja transcendente, o Dao aparece e revela a sua face imanente. Daí por que também possamos contemplar a forma da não-forma (无状之状-wúzhuàngzhizhuàng), isto é, o próprio aparecer da autorrevelação do Dao na medida em que se manifesta concretamente como uma forma existente que nutre e sustenta a vida de todo o universo. Ou seja, embora seja a “não-forma”, ele não deixa de existir e estar onipresente em todas as partes (无所不往-wúsuǒbùwǎng)[1]. Essa onipresença que, de acordo com Wang Bi, abarca todas as coisas, essa onipresença é tão incomensurável que somos incapazes de analisá-la e mensurá-la. É por isso que ele é indistinto (惚恍-hūhuǎng). Assim, o que significa a concepção da transcendência do Dao nesse contexto? Quando se diz que o Dao é transcendente, isso quer dizer que ele ultrapassa as condições espaço-temporais e as suas especificidades distintivas[2], e ao mesmo tempo, as limitações epistemológicas de nossa compreensão ordinária. Porém, seria equivocado interpretarmos a não-forma como o Nada, como a inexistência. É que o Dao transcende tanto a existência como a não-existência. Não seria muito razoável dizermos que ele existe ou que ele não existe, pensando que é a forma ou a não-forma. Seria até difícil classificá-lo, enquadrando-o numa ideia de existência ou de não-existência. Ou chamá-lo de “forma” ou “não-forma”. De maneira ambígua, Laozi diz que é a “forma da não-forma”, juntando as palavras “forma” e “não-forma” numa mesma expressão paradoxal.

Na realidade, o Dao não é uma coisa nem outra. Como algo inominável (无名-wúmíng), transcende o paradigma da visão dualística que estabelece ideias de oposição como existência/não-existência, ser/não-ser. É preciso destacar que essa expressão chinesa “não-forma” (无状-wúzhuàng) é antecedida pela palavra (Vazio) e, então, pode ser traduzida como “destituída de forma/vazia de forma”. É somente pelo fato de ser vazio e destituído de formas que o Dao pode abarcar a totalidade de todos os fenômenos. É por isso que o movimento de transcendência não é negativista ou de oposição à forma, mas o ser-plenitude que aceita todas as manifestações fenomênicas. Temos aqui apenas a ideia de indeterminação do Vazio, e por essa razão, se o Dao é a “forma da não-forma”, isso não necessariamente implica numa transcendência abstrata e inacessível, mas, ao contrário, trata-se de uma dimensão da transcendência imanente e concreta da eficácia, e ao mesmo tempo, da própria plenitude da indeterminação do Vazio. Assim, sendo transcendente, o Dao é “ininterrupto” (绳绳-shéngshéng), o que evidencia o fato de que, embora não seja apreendido pelos nossos sentidos ordinários, ele continua incessantemente presente, vivo e dinâmico, atualizando-se desde os primórdios até os dias atuais. Ele é o tempo da eternidade sempre constante e presente ainda que não consigamos enxergá-lo com os nossos olhos, um presente eterno que além de ser inominável, a saber, não confinado às nomeações que possamos eventualmente lhe conferir, no entanto, assume múltiplas formas na atualidade de cada manifestação. Segundo o sábio comentador clássico He Shang Gong[3], sendo sem-imagem (无色-wúsè), sem-som (无声-wúsheng) e sem-forma (无形-wúxíng), o Dao jamais poderia ser limitado. Sendo essa Unidade Transcendente, a sua qualidade fundamental é ser todo-permeante, todo-abarcante. Eis aí algo paradoxal: na medida em que é sem-forma e vazio, o Dao é capaz de manifestar todas as formas. É em virtude de ser desprovido de determinação formal que ele pode ser considerado o princípio criador e mantenedor de todos fenômenos. Nesse sentido, exprimindo de modo poético que é sem rosto e sem dorso, ou seja, sem a face de frente e de trás, novamente Laozi está realçando esse aspecto paradoxal da invisibilidade, da indeterminação, e de certa forma, da não-apreensibilidade do Dao. Mas seria totalmente impossível apreender algo só porque não possui rosto nem dorso, não possui início nem fim? He Shang Gong diz que o sábio pode se harmonizar com tal princípio através da prática da moderação das emoções (情-qíng) e dos desejos (欲-yù). Em outras palavras, é se tornando vazio que o sábio por uma espécie de assimilação se aproxima da natureza vazia, informe e transcendente do Dao.

              É por isso que o Dao jamais se enquadra nas oposições do dia e da noite, da luz e da escuridão em razão de que ultrapassa as formas limitantes de nossa visão dualística e as imagens de nossa percepção ordinária. Daí por que seja a Unidade na qual aqueles três atributos da invisibilidade, da inaudibilidade e da intangibilidade se consumam numa mesma essência, essência essa que transcende os nossos sentidos e, sobretudo, as limitações de nosso ser cognoscente. Tal Unidade, para o filósofo taoísta-budista Su Zhe (1039-1112), é a Natureza Originária (本性-běnxìng), anterior a todas as divisões epistêmicas que os nossos sentidos produziram durante o seu processo de contato com o mundo. É por isso que é fundamental que retornemos ao estado do Dao Originário, à tal indiferenciação pura e indivisível. Todavia, esse retorno não é um movimento que se dissolve, imergindo numa espécie de Nada Absoluto como muitos concebem de maneira equivocada. Tampouco é o retorno a um lugar situado no além. Trata-se de um retorno ao estado primordial, autêntico e sagrado, cuja essência é caracterizada como onipresença dinâmica e criadora do cosmos, onipresença que é perfeição absoluta e indestrutível. Portanto, é o estado de plenitude, abundância, permanência, eternidade não como algo dissociado do real, mas, ao contrário, como imanente e presente na “existência atual”.

É ainda um tremendo desafio pensarmos como o Dao imemorial se atualiza concretamente nas múltiplas formas do devir do mundo, isto é, manifesta a sua eficácia imanente nos fenômenos da Existência. De fato, isso exige de nós uma séria meditação e não é por outra razão que Laozi utiliza o verbo conhecer (知-zhī) referindo-se ao conhecimento de tal princípio ancestral. O mistério consiste em conhecermos tanto a sua “ancestralidade” como a sua “atualidade” num paradoxo que afronta os limites do cognoscível, pois na medida em que conhecermos a presença imanente do Dao acolheremos também a sua transcendentalidade, ou seja, perceberemos que nada está fora do círculo da sua onipresença, nada existe sem que Ele exista, e em cada coisa se reflete a sua imagem: no fundo das rochas, cintila a sua face ruborizada, a sua luz inefável e a sua alma ilimitada.

 

Contemple o Dao do Céu

 

              Sou como a península insuflada pela brisa noturna, a plumagem das aves impassíveis. Um sopro efervescente me atravessa, e num átimo, sou atirado ao cume de um gigantesco bloco de gelo. Repentinamente se descortina dentro do meu coração um mundo repleto de fosforescências. Se soubéssemos que dentro de nós habita um fogo inextinguível, voaríamos aos píncaros das cordilheiras como dragões da perseverança! Eis que num súbito vislumbre um sol encrava as suas garras no dorso do tigre e ressoa a voz cristalina do hexagrama Céu:

 

 Notas da mesma escala se correspondem;

Odores de mesma natureza se fundem.

A água flui em direção ao que é úmido,

O fogo se eleva em direção ao que é seco.

As nuvens seguem os dragões;

Os ventos seguem os tigres.[1]

 

Enquanto as colinas se movem em órbitas elípticas, o Céu e a Terra se acasalam e derramam um suave orvalho. O semelhante é atraído pelo semelhante. Uma estranha conjunção se engendra no ventre alquímico. Em pleno voo no céu, um dragão estende as asas da sabedoria e um homem dilata os olhos rumo ao abismo selvagem.

 

O homem superior está em harmonia:

Na virtude, com o Céu e a Terra;

No brilho, com o sol e a lua;

No procedimento ordenado, com as quatro estações;

Na boa fortuna e no infortúnio, com os deuses e espíritos.

Pode preceder o Céu, mas não opor-se aos princípios do Céu.

Pode seguir o Céu ao alinhar-se com o tempo do Céu.

Se nem mesmo o Céu se opõe a ele,

Por que o fariam os homens?

E por que fariam os deuses e espíritos?[2]

 

É tempo de harmonizarmos com o Céu, com os seus tentáculos viçosos e rejuvenescidos! O oráculo professa: “O Céu age com vitalidade e persistência. Assim, o homem superior conserva-se cheio de vitalidade, sem cessar.”[3] Eis a correspondência entre o Dao do Homem e o Dao do Céu. Se o Céu abarca as quatro direções com o seu abraço ilimitado, o homem superior semelhante ao Céu cultiva-se a si mesmo na sua força incessante. É por esse motivo que, se conhecermos a nós mesmos, conheceremos a essência do Dao. Na perspectiva taoísta, como nos revela Laozi, quem se conhece a si mesmo se torna iluminado e quem conhece a Constância do Dao alcança o brilho interior da iluminação. Isso significa que a iluminação passa pelo processo do autoconhecimento (自知-zìzhi) e pelo conhecimento da Constância (知常-zhicháng) que não é senão a atitude de quem conhece o mundo sem sair de casa. Trata-se de um conhecimento sagrado e essencial que une o Dao do Homem com o Dao do Céu (天道-tiāndào).

 

Conheça o mundo

sem sair de casa.

 

Contemple o Dao do Céu

sem olhar pela janela.

 

Quanto mais distante se avança,

tanto menos se conhece.

 

Por isso, o Sábio

conhece sem caminhar,

discerne sem ver,

realiza sem agir.[4]

 

              Na visão taoísta, como compreendemos a contemplação do Dao do Céu[5]? Laozi nos diz que essa contemplação não recorre a algo externo, mas sim se volta para a dimensão interna da própria pessoa. A única ação necessária é olharmos para nós mesmos. Na medida em que contemplarmos a nossa morada interior e aquietarmos a mente e os seus movimentos irrequietos, encontraremos o silêncio mais profundo do templo sagrado. Esse templo não está em nenhum lugar externo, mas em nós mesmos. Então, na medida em que praticamos a meditação, ouvimos uma música insondável e quase inaudível. É necessário que tenhamos cuidado para que nesse momento não venhamos a ser distraídos pelo próprio fluxo dos pensamentos confusos. É importante ampliarmos nossa sensibilidade para a escuta do Dao Constante(常道-chángdào)[6], permanecendo nesse recolhimento para que possamos sentir o ritmo de nossa própria respiração e as melodias de uma música quase insonora. Assim, quando as cordas de nosso coração começarem a reverberar numa ressonância mais sutil, começaremos a compreender o paradoxo de Laozi:

 

Quanto mais distante se avança,

tanto menos se conhece.

 

O verdadeiro conhecimento reside na dimensão da interioridade. Para alcançá-lo, basta que estejamos atentos em relação à nossa natureza (性-xìng), escutando a pulsação de nosso coração, o ritmo de nossos pensamentos, o mar tempestuoso de nossas emoções. Embora haja tantas marés de turbulência, há uma música levíssima e harmoniosa que circula nas profundezas de nossa mente. E o sábio é aquela pessoa capaz de escutá-la. Seu corpo sensível ouve essa música quase imperceptível sem utilizar os seus ouvidos físicos. Ele conhece a essência de cada coisa, porém sem recorrer aos cinco sentidos e às faculdades ordinárias da mente. É por isso que se diz que o sábio conhece sem caminhar, discerne sem ver, realiza sem agir. Porém, essa Não-Visão e essa Não-Ação não são uma negação, uma espécie de renúncia ao mundo (como geralmente as pessoas interpretam o taoísmo), mas apenas um certo desapego em relação ao excesso de artificialidades. Além disso, o sábio age no mundo sem nenhum desejo de apego em relação à sua ação. Não busca recompensa nem cria expectativas. Refugiado em si, recolhe-se na sua intimidade e realmente o Dao na sua imanência mais profunda. Onde poderia se encontrar a essência do Dao senão na sua própria natureza interna? Qualquer expediente a que recorresse se tornaria um mero subterfúgio ilusório que o desviaria de sua própria essência. Longe de buscar o Dao na superfície do mundo, o sábio se abriga na morada íntima do seu próprio ser. De modo análogo, ao invés de perseguirmos as coisas externas a ponto de nos perdermos na infinidade de tantas aparências ilusórias, seria mais plausível que cultivássemos nosso centro interior e retornássemos ao Vazio do Dao. Como dizia Wang Bi, o filósofo da Escola do Mistério (226-249 d.C.), se o Vazio do Dao é a Unidade Absoluta Originária da qual vieram todas as coisas, basta que contemplemos esse princípio transcendente que já se encontra imanente em nossa natureza íntima. Desse modo, conheceremos a essência de todos os fenômenos e a essência de nossa natureza como sendo constituídas pela mesma substância sagrada, e sobretudo, perceberemos a natureza de cada ser naquilo que possui de essencial[7]. Portanto, na medida em que abandonamos as aparências superficiais que povoam esse mundo tão tumultuado, nossa visão interior começará a ser despertada de modo que cultivaremos a autocontemplação genuína e, ao mesmo tempo, deixaremos de interferir excessivamente no curso natural das coisas. Ascenderemos ao Céu como o Sábio Dragão da Virtude Misteriosa sem ser arrastado pelas exterioridades supérfluas do mundo. Superando as limitações confusas de nossa mente e evitando o apego às coisas mundanas, estaremos próximos do conhecimento verdadeiro de nossa Natureza Originária (本心-běnxīn).

 

 

*** O ensaio escrito acima faz parte do meu livro inédito “Caminho taoísta na pandemia”.

 

 

 

[1] Veja I Ching, Editora Martins Fontes (tradução para o inglês do mestre chinês Alfred Huang) 2012, p.33

[2] Idem, p.36.

[3] Idem, p.24.

[4] Veja minha tradução do Dao De Jing: o livro do Tao / Laozi. São Paulo: Editora Mantra, 2017, p.119 (Cap.47).

[5] Na terminologia taoísta, a palavra “Céu” se refere à ideia de Naturalidade (自然-zìrán), ou seja, àquilo que por si mesmo é enquanto tal. Em outras palavras, o seu significado filosófico traz a ideia de um modo de ser constitutivo de cada coisa, cuja essência aflora, desenvolve-se e cresce sem que sofra interferência ou coação externa para que ela venha a ser. Laozi utiliza a mesma palavra “Naturalidade” no seu clássico Dao De Jing. Cf. Veja os capítulos 17, 25 e 64 na minha tradução publicada pela Editora Mantra. A palavra “Céu” se refere ao Princípio da Naturalidade (自然-zìrán).

[6] Traduzi por Dao Constante a expressão 常道 (chángdào), o que Laozi concebe como o princípio eterno e criador que cria e rege o universo, princípio imutável, indestrutível e impessoal. Esse princípio é anterior e ancestral (no sentido cosmológico e ontológico) a todas as manifestações fenomênicas. Convém observar essa ideia de eternidade e permanência como bem traduziram Giorgio Sinedino (“Dao Permanente”) e Mario Sproviero (“eterno curso”) em suas traduções brasileiras.

[7] Laozi, A sabedoria de Dao De Jing / Daodejingdezhihui 道德经的智慧 (com comentários dos comentadores clássicos chineses Wang Bi e Su Zhe – traduzido por Huang Xian Sheng). Beijing: Xinshijiechuban, 2016, p.158.

 

[1] Laozi, A sabedoria de Dao De Jing / Daodejingdezhihui 道德经的智慧 (com comentários dos comentadores clássicos chineses Wang Bi e Su Zhe – traduzido por Huang Xian Sheng). Beijing: Xinshijiechuban, 2016, p.46.

[2] Xiong, Wang Bang (王邦雄). Laozi daodejingxingxiandaidejiedu 老子道德經的現代解讀 (Laozi com comentários e notas). Taipei: YuanShu, 2010, p.77.

[3] Laozi, Dao De Jing: Escritura do Caminho e Escritura da Virtude com os comentários do Senhor às Margens do Rio / Laozi; tradução, notas, variantes e seleção de textos de Giorgio Sinedino. São Paulo: Editora Unesp, 2016, p.109-110.

 

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Chiu Yi

Chinês nascido em Taiwan e naturalizado brasileiro. Professor de filosofia chinesa clássica e de mandarim (leitura instrumental) no Centro Cultural de Taipei e nos cursos online de Taoísmo. Filósofo, poeta e tradutor de obras taoistas como “Dao De Jing” de Laozi e “Vazio Perfeito” de Liezi. Mestre em Filosofia Antiga Grega (USP) e graduado em Letras (Grego Clássico-Português/USP). Publicou o livro de poesia “Naufrágios” (Multifoco-2011) e um outro de ensaios filosóficos “Metacorporeidade” (Córrego-2016). Pesquisa a obra taoista de Zhuangzi, Guanzi, Huainanzi, e os Sutras do Budismo Chan.

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