O Nirvana de Bukowski

O Nirvana de Bukowski

O Nirvana de Bukowski

Bukowski’s Nirvana

RESUMO: O presente trabalho pretende se debruçar sobre o poema Nirvana de Charles Bukowski, tal escritor se situa na cena underground da literatura norte-americana do século XX. Inicialmente trataremos do Zen-Budismo e sua chegada no Ocidente, que tomará amplitude com os movimentos da contracultura. Pensaremos na possível influência do Zen na vida do escritor do poema estudado. Em seguida procuraremos um possível personagem do Zen que pudesse hipoteticamente dialogar e até mesmo tomar uma cerveja com o nosso querido escritor, fazendo assim um paralelo com o universo imaculado dos monastérios. Finalmente analisaremos o poema mencionado, colocando a perspectiva de que o despertar espiritual no Zen pode acontecer de maneira espontânea e gratuita.

PALAVRAS-CHAVE: Zen. Nirvana. Bukowski.

ABSTRACT: The present work intends to analyze the poem Nirvana, of Charles Bukowski, being that such writer is located in the underground scene of  North-American literature of the 2oth century. Initially we will deal with Zen-Buddhism and its arrival in the West culture which will take amplitude with the movements of the counterculture. We will also think about the possible influence of Zen in the life of the writer of the poem studied. Then we will look for a possible Zen character who could hypothetically dialogue and even have a beer with our beloved writer, thus paralleling the immaculate universe of the monasteries. Finally, we will analyze the mentioned poem, putting the perspective that the spiritual awakening in the Zen can happen of spontaneous and gratuitous ways.

 

KEYWORDS: Zen. Nirvana. Bukowski

 

Considerações iniciais

Charles Bukowski foi um escritor da cena underground da literatura norte-americana do século XX. Atingiu notoriedade já mais no final da vida, tendo o privilégio de ver várias reedições e lançamentos de seus livros. John William Corrington (Apud SOUNES, 1998, p. 100) escritor e crítico de poesia, ressalta o estilo da linguagem de Bukowski como uma fala posta direta no papel, sem os artifícios e maneirismos utilizados no verso de viés acadêmico. Muitos dos seus temas giravam em torno de bebedeiras, sexo, apostas em corridas de cavalo e etc. Como comenta SOUNES (1998, p. 327) que não foi à toa que diante de seu falecimento a grande mídia destacou apenas a imagem de sua vida desregrada e o inexplicável culto de seguidores que tinha mesmo sendo um escritor simples.

SOUNES (1998, p. 328) enumera alguns pontos sobre o escritor: podemos colocar como ambiência de seus versos o dia a dia, nada de glamour e heroísmo, mas a vida não bem sucedida de muitos norte-americanos, em seus trabalhos degradantes e em seus apartamentos baratos de aluguel; Além de tratar também as relações humanas com uma digna sinceridade e sem romantismos; E mesmo sabendo que quase sempre a vida humana é desprezível e as pessoas muitas vezes são cruéis umas com as outras não deixou de criar possibilidades para visualizar a vida de uma maneira engraçada e bonita. Para o nosso artigo o nexo principal se encontrará justamente aí, nas outras possibilidades de visualizar a vida, justamente a partir da reflexão sobre o poema Nirvana de Bukowski.

Não é fato que nosso querido escritor tenha praticado alguma religião ou seria afeito a alguma religiosidade, apesar de ter sido batizado católico. Em seu funeral foram chamados monges budistas para fazer o sermão, mas isso talvez tenha se dado devido a sua última companheira que era seguidora Meher Baba, guru indiano famoso pelo bordão don´t worry, be happy (Não se preocupe, seja feliz). Parece estranho ligar os monges budistas com o guru indiano, mas como o Zen é equiparado por METCALF (1991, p. 517) a um parque de diversões cultural, assim podemos perceber que tudo é possível. Já que o tema do Nirvana nos traz um rico e vasto imaginário sobre o Zen-Budismo, muitas vezes se fundindo e se recriando com outras manifestações religiosas, até mesmo esotéricas, e assim, ditando as vibrações da Nova Era.

Pretendemos analisar o contexto do Zen no Ocidente, muitas vezes colocado como adjetivo, ao invés de substantivo, e sua caleidoscópica rede de sentidos e significados. Pretendemos também localizar algum personagem do Budismo-Zen que poderia sentar em uma mesa de bar para tomar uma cerveja com nosso beberrão escritor, fazendo assim um paralelo ao universo imaculado dos monastérios. Finalmente analisaremos o poema Nirvana, que estará no ANEXO A (BUKOWSKI, 199-?) deste trabalho, e toda sua ressonância e capilaridade com os fundamentos do Zen-Budismo.

“Esse questionamento radical dos valores ocidentais e toda essa abertura espiritual que marcará muito a contracultura serão definitivamente debitados na conta da literatura e da geração beatnik. “

O Zen no Ocidente

Se perguntarmos para as pessoas o que é o Zen, muitas não terão dificuldades de intuir alguma coisa. Nessa intuição muitos adjetivos virão à mente, como harmonia, equilíbrio, meditação, paz, tranquilidade, bem-estar, simplicidade e muito mais serão os brinquedos desse enorme parque de diversões cultural que se remete ao Zen. O substantivo Zen não será tão propagado e definido como os adjetivos que ele nos remete. Mesmo sabendo que o Zen pertence a uma escola específica dentro do Budismo, o imaginário comum fará uma confusão misturando escolas budistas entre si, yoga, feng shui, macrobiótica, Osho entre outras técnicas orientais ou exóticas tudo com vista a alcançar a profunda paz interior, ou grossamente o que seria a busca pelo Nirvana. Essa presença cultural vibrante e constante traça muito o que queríamos dizer com a expressão parque de diversões cultural.

As ideias budistas foram inicialmente levadas para o Ocidente no século XIX de formas bem distorcidas por missionários e intérpretes. Mesmo a comunidade imigrante não teve muito a ver com a onda Zen de convertidos. Mas a partir da década de 1950, uma figura marcante para a influência no Ocidente foi o professor D. T. Suzuki que apresentou o Zen de uma forma muito cativante e até mesmo romântica através de seus livros e traduções. Allan Watts também seguiu esse momento de apresentar as filosofias asiáticas para o Ocidente e foi outra importante influência. Mas o que casou mesmo para uma grande repercussão foi a associação com a contracultura e o questionamento dos valores centrais da cultura ocidental, o que criou um ambiente de intenso desenvolvimento da espiritualidade.

Todo entusiasmo Zen refletia um tipo de espírito místico e mundano, a espiritualidade tida como uma jornada. Citando Roof, ROCHA (2016, p. 161) coloca que nessa jornada a busca é enfatizada na experiência pessoal, e não mais na autoridade da fé herdada. Para a autora a busca por uma identidade individual mais verdadeira, um self (Eu Maior) que é o que permite a escolha de várias matrizes religiosas que entoasse melhor com a jornada própria de cada um. Outro ponto elencado diz que o campo da dúvida é muito ressaltado nesse itinerário, o que traduz uma geração não apenas insatisfeita com as religiões tradicionais, mas também com as instituições sociais e a cultura bélica e financeirista norte-americana. Podemos resumir a influência da espiritualidade da contracultura assim:

De muitas maneiras, a espiritualidade asiática forneceu ao rejeitado individualismo utilitarista um contraste mais profundo do que a religião bíblica. Para realizações externas ela apresentava experiências interiores; para a exploração da natureza, a harmonia com a natureza; para a organização impessoal, uma relação intensa com o guru. O budismo Mahâyâna, especialmente na forma do Zen, foi a maior influência religiosa na contracultura; sendo que elementos do taoísmo, hinduísmo, e sufismo também foram influentes (BELLAH apud ROCHA, 2016, p. 154).

Não podemos esquecer de outro fator que salientou muito a expansão do Zen no Ocidente, que foi a chegada de vários mestres da Ásia que estavam sendo perseguidos politicamente. Mas o Zen no Ocidente em sua forma original não era muito interessante, imaginem um ocidental buscar uma prática religiosa, “uma prática enraizada num complexo de rituais que reforçam os vínculos com a família e com papéis sociais tradicionais numa cultura asiática” pontua METCALF (1991, p. 519). Esse vínculo familiar forte, a língua tradicional e ainda as amarras institucionais traduzem o que pode ser chamado de Zen Étnico.

Mas a espiritualidade pode dar o seu contorno apenas com a prática substantiva do Zen. Aqui ocorrerão transformações salutares: a comunidade será formada por leigos, que ajudarão na limpeza do centro de meditação, o que ajudará no estado de atenção; passarão horas sentados no puro e simples sentar sem nada a esperar com isso, o que é chamado de zazen; resolverão e meditarão sobre frases enigmáticas, chamadas de koan, com a finalidade de silenciar a mente de seu aparato lógico e discursivo. Não haverá a demora de anos para torna-se um monge na arquitetura institucional, a questão monástica se minimizará bastante, havendo assim um grande foco na prática que poderá ser feito por qualquer um. Até a questão do gênero será revolucionária, mas podemos completar toda essas questões assim:

Com as políticas se desenvolvendo por tentativa e erro e com a atmosfera mais livre da década de 1960 como contexto social, esses centros de prática Zen passaram a incorporara muitos dos temas da época: a vida comunitária, as indústrias de agricultura familiar, a ordem igualitária, a experimentação de drogas e sexo. O mais importante e criativo desses desenvolvimentos foi esse novo igualitarismo, em especial com relação às mulheres (METCALF, 1991, p. 526).

Esse questionamento radical dos valores ocidentais e toda essa abertura espiritual que marcará muito a contracultura serão definitivamente debitados na conta da literatura e da geração beatnik. Esses escritores e andarilhos convocarão os lunáticos e leigos praticantes do Zen para uma revolução de colocar o pé na estrada e viver uma jornada espiritual, o que retoma a nossa ideia mais inicial da mística mundana. Muitas nações industrializadas refletirão essa atmosfera da contracultura. Muitos pontos em comum ressoarão com o budismo e a Nova Era apresentando o pano de fundo dos beats:

[…] uma ausência de dogmatismo e uma ênfase na necessidade de o indivíduo ser a sua própria autoridade, o uso da meditação para alterar e melhorar a consciência, a ideia de que os ensinamentos, tradições e práticas religiosas são um meio para um fim (uma jangada para ser usada, por si só eles não seriam sagrados), ênfase no potencial humano em vez de numa divindade externa e, finalmente, a unidade e a interdependência de todas as coisas, levando a uma preocupação com a ecologia  (CUSH apud ROCHA, 2016, p. 155).

Retomando Bukowski, ele não era muito afeito à contracultura, zombava dela na verdade, não ligava para drogas, política, música, art pop e etc. Mas muitos de seus escritores favoritos, editores e fãs estavam nesse mundo, então é fato ele ter sido marcado e envolvido por esse contexto (SOUNES, 1998, p. 125). Ele não gostava dos beatniks, muito por causa da homossexualidade de grande parte. Juntar-se e assemelhar-se a esse grupo seria a última coisa que passaria em sua cabeça, principalmente pelo ar da pomposa intelectualidade que exalavam. Mas uma figura que ele gostava devido a paixões (menos a bissexualidade) e histórico de vida semelhantes era Neal Cassandy, o sujeito que inspirou o personagem principal do livro On the Road de Jack Kerouac. Neal também fora operário de chão de fábrica, também esteve na cadeia, gostava de beber e apostar em cavalos.

É difícil encontrar um sentido espiritual muito explícito na obra de Bukowski, além do poema Nirvana e escritos com ideias próximas. Nosso polêmico escritor sempre ridicularizou a Nova Era, mas quando estava mais velho com o fantasma da morte o rondando enquanto se recuperava de um câncer, aceitou tentar tratamentos alternativos inspirador por sua companheira Linda Lee. Começou a participar de grupos de meditação transcendental, e seguir o guru de tratamentos de saúde alternativo, Deepak Chopra. Alguns trechos de seu poema decline transcreve bem esse momento:

Sentado nu nos fundos de casa,
8 da manhã, passando óleo de
semente de gergelim
pelo corpo, jesus, como eu
cheguei
a isso?
eu já briguei em becos escuros
por
diversão,
agora não acho graça

(SOUNES, 1998, p. 320-321)

            Mas algo que bem convincente e até mesmo desafiador em Bukowski e reflete muito de sua filosofia de vida é algo que também contorna a contracultura. Estamos falando aqui de sua completa rejeição das regras impostas e também degradantes, além das figuras de autoridades e toda e qualquer pretensão, essas ideias são apontadas por SOUNES (1998, p. 328). Ele aparece como um figura alternativa que nem mesmo fica nos lugares comuns e no politicamente correto dos próprios alternativos.

“Essas transgressões da Nuvem Errante seriam de muito agrado para Bukowski e permitiria que os dois fossem colegas de bar.”

Em busca de um monge transgressor

Acabamos forçando até um pouco a barra na tentativa de aproximar Bukowski do Budismo-Zen, mas também seria interessante procurar algum personagem no Zen que pudesse dialogar e se aproximar do nosso querido escritor. Com sua atitude impassível podemos dizer que o escritor se assemelhava com os monges de certo modo. Sua filha Marina relata que mesmo diante da morte e de suas sérias doenças ele não demonstrava nenhuma emoção ou perturbação, o que foi característico de toda sua vida diante de tantos problemas. O motivo de nossa busca é relevante por constatar que Bukowski dizia e fazia coisas ultrajantes e também gostava de figuras radicais, e assim, finalmente encontramos o monge Ikkyû Sôjun (1394-1481).

Acabamos tendo no Ocidente um imaginário que o Zen consiste em algo sem preocupações e relaxado. Não temos uma noção precisa que o autoritarismo, rigidez e coletividade permeiam o Zen, isso muito graças as visões românticas que foram passadas por escritores, como o já citado Alan Watts, como pontua BOLELLI (2011). Mas toda essa expectativa é quebrada com a realidade dos templos e monastérios Zen-Budistas. Tudo funciona de uma forma fortemente organizada e estruturada, ou seja, é bem rígida e severa a disciplina Zen. Mas no século XV, o monge Ikkyû teve uma grande ojeriza desses pressupostos, e realizou sua caminhada com total liberdade e naturalidade.

Não foi muito comum o encontro de Ikkyû com sua vocação, por ser filho ilegítimo do imperador, sua mãe temendo as conspirações que o rondavam na infância, decidiu mandá-lo para um mosteiro como forma de proteção. Desde tenra idade se mostrou muito habilidoso e promissor. Por volta dos 16 anos foi viver com um mestre que não tinha discípulos, e assim, teve uma prática bem severa e austera. Com a morte do importante mestre, ficou a beira do suicídio por tanto desespero que sentia. Até encontrar um novo mestre que o nomeou de forma budista, vindo a se chamar Ikkyû, nome que significa: uma pausa. Um pouco depois aos 26 anos, de forma bem inesperada atingiu a iluminação (satori). Sentando em um barco em uma noite de verão ouviu o grasnar de um corvo. Como salienta em um poema no qual aborda o acontecimento: “Em vinte anos, nas mesmas paixões. Depois o corvo ri e eu surjo santo da lama do mundo”. (CIVARDI apud TEIXEIRA, 2018).

Após a iluminação Ikkyû parte para a peregrinação, sendo apelidado posteriormente por Nuvem Errante, por viver a liberdade como se estivesse sendo conduzido pelo vento. O monge simplesmente vivia, vivia o puro pulsar do espírito Zen. Tal espírito estava ficando estéril devido a um grande processo de burocratização e institucionalização de sua mensagem principal e pura. Muitos acreditavam que apenas a meditação silenciosa e o uso de incensos que conduziriam para a iluminação, já Ikkyû parte para uma contra mão desses indicativos, como salienta TEIXEIRA (2018): “Ikkyû rompe com os preceitos impostos pela regra monástica da ocasião: come carne e bebe vinho, frequenta taverna e bordéis, deixando-se transbordar pela experiência amorosa”. Um exemplo desse transbordamento seria um poema chave do monge errante:

Os discípulos de Linji Yixuan nunca entenderam a mensagem do Zen,
mas eu, o Asno Cego, conheço a verdade:
o jogo do amor pode fazer-te imortal.
A aragem outonal de uma só noite de amor
é melhor que cem mil anos de estéril meditação sedente…
(SÔJUN, 14-??)

Essas transgressões da Nuvem Errante seriam de muito agrado para Bukowski e permitiria que os dois fossem colegas de bar, já que o monge não via problemas em sua maneira de levar a vida. Ikkyû estava sempre interessado na sintonia com a natureza, no campo da sexualidade, por exemplo, via a questão erótica já desde cedo presente na criança, o que sinalizava algo essencialmente bom de ser vivido. O monge “não excluía do olhar do verdadeiro mestre a presença do vinho, da carne e das mulheres.” (CIVARDI apud TEIXEIRA, 2018). Todos esses traços são muito simpatizantes com as paixões de Bukowski, além do mais como o escritor falava das cervejas, dos rios e mares de cerveja e como cerveja era tudo, realmente, não é difícil de imaginar um feliz encontro entre o monge e o escritor.

Ikkyû era um crítico feroz de uma predominância exagerada da meditação extática, no qual advertia os eremitas da forma ensimesmada que se fechavam em seus mundos. Considerava que pela forma ascética que levavam a vida eles acabavam desprezando o mundo e a relação com suas criaturas, como salienta TEIXEIRA (2018). Por isso que antes de sua morte, deixou escrito para seus discípulos: “Após minha partida, podereis retirar-vos nas montanhas ou num bosque para meditar, ou então frequentar bordéis e tabernas. Em ambos os casos tereis minha bênção” (CIVARDI apud TEIXEIRA, 2018). Concluindo podemos salientar o seguinte:

Ikkyû não dava a mínima sobre o que as autoridades religiosas de seu tempo pensavam dele. Porém, em suas viagens, Ikkyû conseguiu influenciar um grande número de artistas, poetas, calígrafos, músicos e atores de um modo que deixou uma marca profunda no desenvolvimento das manifestações artísticas nipônicas por séculos a fio. (BOLLELI, 2011)

“Os ensinamentos de Huineng (638-713), 6º Patriarca do Zen, ilustram uma inovação ao destacar a gratuidade e espontaneidade que pode ocorrer o despertar/iluminar. Pode ocorrer de maneira repentina, imprevista e livre, não há necessidades de acumular méritos nem de dedicar-se de maneira extenuante aos estudos.”

O Nirvana de Bukowski

É fato que a visão de mundo de Bukowski era moldada pelos problemas do dia-a-dia, não era interessante para ele abordar em seus textos a Guerra do Vietnã, as questões dos Direitos Humanos ou do Mundo Pop, ele estava interessado em falar de um carteiro tentando pagar seu próprio aluguel (SOUNES, 1998, p. 129). Ele afirmava que maior parte do que escrevia era literalmente o que acontecia em sua vida, brincava até através de um cálculo, que 93% de sua obra era autobiográfica, e os 7% eram uma versão melhorada de sua vida. Podemos questionar se esse melhorado não era algo que significasse realmente algo cômico e ridículo. (SOUNES, 1998, p. 21). Resta imaginar se Bukowski viveu mesmo ou relatou de forma melhorada o que se passa no poema Nirvana.

Amigos do nosso escritor relatam como ele por muitas vezes vivia uma vida terrível, e beber e escrever eram a única forma de manter as coisas andando (SOUNES, 1998, p. 87). Mas o texto em Nirvana já evidencia a fase madura de Bukowski, pela forma direta e sucinta de escrita, além de não nos traz a mente nada de terrível que estivesse sendo vivenciado ali. A poesia para ele era uma forma curta e bonita, além de explosiva de se dizer o que se queria (SOUNES, 1998, p. 48), isso exemplifica muito bem a dimensão que o poema analisado nos leva e traz.

O poema não relata nada de sobrenatural ou épico, apenas um sujeito cruzando os Estados Unidos de ônibus, a neve caindo, e a hora de uma parada para em um café em um local nas montanhas. Podemos grossamente dizer que o Nirvana é a dita experiência de iluminação dos budistas, e quando isso é perpassado em nossas mentes, logo pensamos em um grande momento especial. Segundo WRIGHT (apud TEIXEIRA, 2012, p. 709) pensamos esse momento especial com seu tempo, ambiente e postura próprios, mas todo momento da vida seja sentado, em pé ou deitado deve ser compreendido como uma manifestação da natureza búdica.

Ao refletirmos sobre o Nirvana necessariamente pensamos em algo muito árduo e difícil de se conseguir e alcançar, se esses são realmente os melhores termos para se referir a esse estado analisado. Os ensinamentos de Huineng (638-713), 6º Patriarca do Zen, ilustram uma inovação ao destacar a gratuidade e espontaneidade que pode ocorrer o despertar/iluminar. Pode ocorrer de maneira repentina, imprevista e livre, não há necessidades de acumular méritos nem de dedicar-se de maneira extenuante aos estudos.

Pensar em uma prática rígida e sistemática, no qual vai se gradualmente passando por diversos estados de evolução espiritual, como prescrito em várias escolas do Zen, também não é necessário (BOUSO, 2008, p. 46). O jovem no poema de Bukowski não tinha um propósito como é afirmado e nem uma meta, com certeza ele não esperava a experiência mágica que teve naquele café, comendo e olhando a neve caindo pela janela. Simplesmente aconteceu aquele esplendor, um estado cintilante na atmosfera que o sorveu para uma outra forma de experimentar a realidade e a existência.

O Zen declara que reverenciar uma camélia em sua floração e cultuá-la é um ato que demonstra tanta religião como uma prosternação diante dos deuses budistas, ou o uso da água benta, ou a própria comunhão cristã (SUZUKI, 1969, p. 60). Não há nenhuma realidade extemporânea na tradição Zen, além da própria realidade fenomênica. Podemos dizer que o que consta nessa tradição é algo absolutamente cotidiano e singularmente profano (TEIXEIRA, 2012, p. 722). Por isso não é de se estranhar a concepção de uma experiência do Nirvana em um singelo café nas montanhas durante uma parada de ônibus.

Podemos colocar a consciência do cotidiano como chave central para a compreensão do Zen. Ou seja, essa consciência cotidiana basicamente não seria nada mais que comer quando estivesse com fome, e dormir quando estivesse com sono. E a partir do momento que se teria qualquer sinal de conceptualização, deliberação ou reflexão sobre o fato se perderia essa presença no cotidiano, surgindo assim o pensamento. Com o processo do pensar poderíamos dizer paradoxalmente que não se comeria quando comesse, nem dormiria quando dormisse (SUZUKI in: HERRIGEL, 1975, p. 11). Por isso a forma despropositada do jovem viajar acaba o plenificando em um estado presente que o pensamento não atrapalha o fruir de sua breve parada, percebendo que até a garçonete não era afetada pela forma maçante que as pessoas normalmente vivem, mais pensando do que vivendo.

A finalidade do Zen não seria nada mais que essa prática na vida cotidiana, não teria uma experiência dita elevada do despertar, fora do tempo e espaço próprio das nossas vivências. Podemos resumir de forma magistral essa concepção que estamos querendo passar com um ditado que diz o seguinte, que quando um homem comum alcança o conhecimento ele é um sábio, e quando um sábio alcança o conhecimento ele é um homem comum (BOUSO, 2008, p. 105). Por isso esse estado de comum para o jovem do poema pode trazer uma grande legitimidade da sua experiência, podendo até corresponder em um pressuposto para essa interpenetração no corriqueiro e banal, mesmo considerando que os outros passageiros não davam conta disso.

Com essa ideia do comum ou do singularmente profano como já apresentado, o sentido de uma irreligião se dissipa, porque consideramos um sentido amplo para o estado religioso no Zen, não se configurando nos moldes de uma religião cristã. Isso justificaria um ditado que diz que os iogues imaculados não entram no nirvana e os monges violadores de preceitos não vão para o inferno. Apesar de ser uma contradição da moral, o Zen se qualifica como sendo o espírito do homem (SUZUKI, 1969, p. 60). Vemos assim o misticismo ao seu próprio modo do Zen, no sentido que o sol brilha e a flor desabrocha e que neste momento escuto o barulho de alguém bater um tambor (SUZUKI, 1969, p. 65).

Podemos visualizar que o Zen deseja captar o fato central da vida como é vivida, de maneira mais direta e vital. Não há necessidade de nada externo para esse contato direto, pois são os trabalhos íntimos do próprio ser que se configuram como uma autoridade interna para essa possibilidade (SUZUKI, 1969, p. 65). No poema de Bukowski podemos notar essa intensidade de contato direto e íntimo através da manifestação jocosa e metafórica com os dizeres malucos da frigideira e a risada da pia, por mais estranho que isso possa parecer.

Uma chave angular para todo esse trabalho de interioridade que faz advir uma percepção profunda da realidade seria um exercício de aperfeiçoamento do olhar. Como os outros passageiros daquele ônibus não percebem toda aquela ressonância universal propagada e captada naquele café pelo jovem sem propósito, compreendemos que essa experiência não é para todos, é necessária haver uma certa disponibilidade. Nisso visualizamos uma transformação interior que rompe com uma perspectiva egóica e possessiva, oferecendo um envolvimento da experiência direta que antecede toda distinção entre sujeito e objeto (FAURE apud TEIXEIRA, 2012, p. 722).

O aperfeiçoamento do olhar faz o sujeito realizar um modo de existência particular no mundo inteiro em uma forma particular que é correspondida. Acabamos vendo que o mundo fenomênico se apresenta aos olhos do sujeito observador em conformidade com o modo interior que está operando-se nele mesmo. Ou seja, a estrutura do sujeito determina a estrutura do mundo e das coisas objetivas (IZUTSU, 2009, p. 18). Por isso não é estranho o sentimento que transpassa o jovem do poema, de que tudo era lindo ali naquele café. Ou seja, há uma correspondência e conexão a partir de sua abertura e disponibilidade interna que gera uma majestosidade no olhar saturando a realidade fenomênica de vitalidade.

Concebemos assim, que a experiência do Nirvana não consiste em nenhuma espécie de conhecimento teórico ou por conceitos. A ignorância espiritual é muito mais que uma falta de informação, assim como a sabedoria que destrói essa ignorância fornecendo um conhecimento interior direto da realidade (VELASCO, 1999, p. 168).        

Então o ápice dessa experiência não é o resultado de seguir um caminho doutrinal, porque o Nirvana é incondicionado. Por isso para o budismo é muito mais apropriado descrever o caminho, e apontar algumas direções, mas nunca descrever o fim do caminho, o que talvez seja mais bem descrito com o silêncio do que com as palavras (VELASCO, 1999, p. 171).

É aceitável uma dificuldade em captar o Zen, pois qualquer ideia de teorização e explicação por meio de conceitos é extremamente desafiante e falho. Pois estamos falando aqui de um tocar a realidade, e o sentir desse tocar é tomado da forma mais pura e profunda possível (SUKUZI, 1969, p. 62).

Assim não é difícil de pensar que o Nirvana não é outra realidade, não é algo comparável com outras realidades, se quer é algo, se pudermos conceber assim. Se for questionado o que é o Nirvana, só o silêncio poderia responder. Mas uma tradução mais inteligível seria dizer que Nirvana é o mesmo que Samsara (O mundo normal das aparências e manifestações fenomênicas que nos afeta). Os dois estão no mesmo fluxo existencial e na mesma dimensão, mas são vividos e experimentados em sua própria realidade tomada como verdadeira. (VELASCO, 1999, p. 168).

Por esse fluxo existencial ser o mesmo, podemos sintonizar com a grande máxima budista de dizer que essa mente mesma é Buda. Ou seja, não é uma mente que representa um além ou uma iluminação, mas essa mesma mente muitas vezes torpe que abre o campo do infinito. A iluminação não se trata nada mais que uma retomada com a natureza mais profunda do sujeito, algo que plasma uma originalidade. Essa mente mesmo que está aqui e agora é relacionada com o presente, com o que já é encontrado aqui. O cotidiano e corriqueiro não é algo que deve ser superado, mas a atenção deve se voltar profundamente para eles. (TEIXEIRA, 2012, p. 708).

A ideia comum de transcendência é abandonada, podemos pensar aqui em uma imanência prenha de transcendência, algo que nos lance para uma saturação máxima de apreensão do presente, e uma maneira não dualística de se presentificar na existência. A expressão de um dos maiores nomes do Zen-Budismo, Dôgen, pode sintetizar isso: Deixar cair corpo e mente. 

Para aquele jovem viajante seria maravilhoso ficar ali para sempre, mesmo o motorista chamando para o embarque, ele afirma que ficará lá, apenas ficará. Mesmo ele levantando depois de sua afirmação, não podemos duvidar que ele ficou lá, eternizado naquele momento. É inegável a experiência de presente absoluto ou dilatado, ou seja, uma forma plena e abarcadora de viver e experimentar o tempo que nos traz à tona o poema.

 Conforme MICHELAZZO (2011, p. 158), a experiência apreendida é de que o tempo para, fica apenas um presente na qual a pressão de futuro é significantemente reduzida, e assim, é possível o aparecimento da atenção plena e total para a presença dos acontecimentos presentes. Podemos dizer que a existência dilata juntamente com a extensão daquele presente plenificado, e para TEIXEIRA (2012, p. 724) que aborda a visão de Dôgen, o acontecimento por excelência propício para esse instante de plenitude seria a própria vida, o despertar não seria nada mais que a tomada de consciência desse instante presente vivido na vida corriqueira.

É interessante meditar mais sobre o regresso do jovem ao ônibus, podemos conceber refletindo com MICHELAZZO (2011, p. 167) que o despertar não é um estado permanente, é imprescindível voltar do estado do Nirvana para o mundo da dualidade, sabendo que aquela experiência marcante afetará a pessoa pelo resto da vida.

Visualizamos que até mesmo essa experiência incrível no café é passageira, é tolice a persistência e imobilização nela. Como relata CARVALHO (2006, p. 04) citando Dôgen, aceitar a impermanência é realizar a natureza búdica. Podemos ver a sabedoria do nosso jovem viajante em seguir sua viagem, com uma marca indelével em sua própria existência. É simplesmente viver a lição que traz esse poema de Bukowski, para o jovem viajante só resta agora curtir o som do motor, e do pneu do ônibus na neve, não há mais nada para fazer, sem nenhuma pretensão mesmo para lhe roubar ou sequestrar do instante presente.

“O universo beat é reconhecidamente abarcado por uma questão espiritual, da mística mundana (…)”

Considerações finais

Inicialmente nossa pesquisa versou sobre um equívoco: conceber automaticamente que Charles Bukowski estava dentro do movimento beatnik. O universo beat é reconhecidamente abarcado por uma questão espiritual, da mística mundana, sendo mais fácil o estudo nesse adendo pelo farto material disponível. A partir do equívoco inicial estava posto um desafio, que seria contornar a obra de Bukowski atrás de um contexto Zen-Budista.

Mesmo concebendo a escassez de material, e até mesmo a validade da procedência da pesquisa, resolvemos arriscar na empreitada. Pois é fato a inexpressividade da religiosidade do escritor estudado. Mas a partir do ponto que temos um poema do porte de Nirvana, é necessária uma investigação do possível contexto deste poema, mesmo que pairemos em suposições e até mesmo em ficções sobre a abordagem da temática.

Bukowski viveu em um século muito profícuo, diante da insanidade da guerra se cria toda uma esfera espiritual. Além do questionamento da hipocrisia do american way life, que edifica todo um movimento de contracultura de busca por outros valores. Mas precisamos levar em conta a dura realidade do escritor estudado, em seus problemas familiares, com os empregos e a bebedeira.

Apesar de Bukowski não viver o sumo de seu século por causa da realidade bater mais forte em sua porta, devemos também considerar as próprias características de seu temperamento. Mesmo ele tirando chacota e sendo avessa a Nova Era e a contracultura, é fato que o entorno do escritor respirava esses movimentos. Assim não podemos negar possíveis influências desse contexto em sua obra.

A ficção que criamos de um possível encontro entre Bukowski e o monge Ikkiû serviu para percebemos a irreverência do Zen. Muitas vezes imaginamos um universo imaculado em torno do âmbito espiritual, mas o Zen permite tal abertura e reverência com o cotidiano e o imanente que é possível uma mística avessa aos ditames morais e a tudo que gere esterilidade.

Finalmente compreendemos o poema estudado como uma obra de profunda sabedoria. Basicamente não adianta a busca de nenhum novo universo, se mantivermos os nossos velhos olhos. Novos olhos ou um aperfeiçoar do olhar é essencial para uma experiência elementar do cotidiano, que nos lança para uma experiência do imanente prenhe de transcendência.

 

 

 

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOLLELI, Daniele. Sexo, Saquê e Zen, 2011. Disponível em: < https://nerdevils.wordpress.com/2012/01/05/sexo-saque-e-zen-a-historia-e-influencia-de-ikkyu-sojun-nas-arte-e-espiritualidade-japonesa/>. Acesso em: 23 jul. 2018.

BOUSO, Raquel. Zen. Barcelona: Fragmenta Editorial, 2012

BUKOWSKI, Charles. Nirvana, [199-?]. Disponível em: <http://velhobukowski.blogspot.com/2013/01/poema-nirvana-legendado.html>. Acesso em: 15 jul. 2018.

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VELASCO, Juan Martín. El fenómeno místico. Madrid: Trotta, 1999.

 

NIRVANA

(BUKOWSKI)

sem grandes chances,
completamente desprovido
de proprósito,
ele era um jovem
seguindo de ônibus
cruzando a Carolina do Norte
em direção a
alguma parte
e então começou a nevar
e o ônibus parou
num pequeno café
nas montanhas
e os passageiros
ali entraram.

sentou junto ao balcão
com os outros,
fez o pedido e a
comida chegou.
a refeição estava
especialmente gostosa
assim como o café.

a garçonete era
diferente das mulheres
que ele
conhecera.
não era afetada,
sentia que dela
emanava um humor
natural.
a frigideira dizia
coisas malucas.
a pia,
logo atrás,
ria, uma risada
boa
limpa e
prazenteira.

o jovem assistiu
à neve cair através da
janela.

queria ficar
naquele café
para sempre.

um sentimento curioso
perpassou-o por completo
de que tudo
era
lindo
ali,
de que sempre seria
maravilhoso ficar
por ali.
então o motorista do ônibus
disse aos passageiros
que era hora de
partir.

o jovem pensou,
ficarei sentado
aqui, apenas ficarei onde
estou.

mas então
ele se ergueu e seguiu
os outros até o
ônibus.

encontrou seu assento
e olhou para o café
através da janela do
ônibus.
então a partida do
veículo, logo uma curva,
em declive, afastando-se
das montanhas.

o jovem
olhou diretamente
para frente.
ouviu os outros
passageiros
falando de outras coisas,
ou então eles
liam
ou
tentavam
dormir.

não haviam
percebido
a mágica.

o jovem
virou a cabeça para
o lado,
fechou os
olhos,
fingiu
dormir.
não havia mais nada
a fazer –
apenas escutar
o som do
motor,
o som dos
pneus
sobre a
neve.

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Olavo Augusto

Olavo Augusto é Assistente Social na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Bacharel em Serviço Social pela Estácio de Sá, Licenciado em Filosofia pela UNIFRAN, Especialista em Ciência da Religião pela UFJF. Realizou um documentário chamado "Terra do Ouro", que retrata a influência da Teologia da Libertação no trabalho pastoral de uma pequena cidade no interior do sul de Minas Gerais: https://youtu.be/pcKb4EcwdrU

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